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VI Convívio da Tertúlia Policiária da Liberdade Informações Complementares aos Concorrentes Fase Preparatória do Futuro Grande Romance Capítulo
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CAPÍTULO 14. BOTA-FOGO NO HOTEL Nove
Só faltava
saber se a Katinha Vanessa estava em Los Angeles ou
na Trofa. Mas depois de formalizada a entrega da herança, descobrir a Katinha Vanessa seria fácil. O cheiro ao vil metal chega
até longe, e ela logo o cheiraria qualquer que fosse o lugar em que pairasse
a ver as modas. Pelo que consta outro padrinho, de certeza, não estaria a
confessá-la – expurgando-a, de seguida, do pecado – no Convento de Santa
Clara em Coimbra. Mas vamos aos
factos. Como se
lembram Onaírda foi internado no Hospital Júlio de
Matos. Passados tempos estava praticamente curado. Tinha sido uma crise
existencial passageira. Logo a seguir ao internamento recebeu e visita do
policial ainda no activo, o Inspector
Boavida. O detective Tempicos
soube desta visita e não quis ficar atrás. Visitou Onaírda
todos os dias enquanto durou o internamento. Tempicos
diria mais tarde que estava a controlar o seu ex-colega, para evitar que ele
viesse para o exterior pedir cigarrinhos aos transeuntes, como era costume
ver-se e agora não sei se ainda será. Dantes era um ex-libris da Avenida do
Brasil. Certo, certo,
é que Tempicos levava todos os dias ao Onaírda uma dúzia de pasteis de
nata, 3 bolos de gema e duas fantas de ananás. Onaírda ficou-lhe muito agradecido com esta atitude “pastelnateira” do detective,
tendo engordado cerca de vinte quilos, mas como era extremamente magro até
lhe fez bem. Onaírda ficou tão reconhecido a Tempicos que teve uma atitude levada dos diabos, se, por
acaso, corresse mal. Foi o caso de, solenemente, prometer ao Tempicos que lhe daria metade do património que daí em
diante viesse a possuir, fosse de que género fosse. Tudo a “mielas”. Palavra de Onaírda. Pois é, as coisas dizem-se de
ânimo leve, mas o diabo tece-as. E o inesperado aconteceu. Já os autores
dos dois últimos episódios desta saga tinham alvitrado ao de leve que havia
um herdeiro do Lúcio Tomé Feteira e que de certo modo estava ligado a um
negócio que por causa do dito ainda não ter recebido o “guito”
o tal negócio não se fez. Algum “bitaite" chegou ao conhecimento deles,
mas nesta altura ainda não juntei as peças do puzzle. Pois bem, meus amigos,
o tal herdeiro é o Onaírda, que como sabem o seu
apelido junta-o à lista dos familiares e herdeiros de alguém que já se foi. Onaírda foi notificado pelo tal advogado que tem um
escritório luxuoso na tal Favela Benjamin Constant.
Onaírda tinha vontade de mandar para as urtigas a
promessa que fez ao Tempicos, mas este viu a carta
do advogado na mesa-de-cabeceira da enfermaria e já não largou o Onaírda. O prometido é devido. Partiram para
o “Brasiú” e a sua missão foi bem
sucedida. Onaírda e Tempicos
entrariam na posse da herança de imediato e o valor era muito elevado. Para
além dos zeros correspondentes a uns milhares de euros ainda se podiam
acrescentar mais uns quatro zeros. Tempicos, naturalmente, tinha uma palavra a dizer quanto
ao destino da herança e alvitrou que a Katinha
Vanessa – a apaixonada dos dois padrinhos – também seria beneficiada com um
terço do total da herança. E depois logo se veria, mas o melhor seria que a
partir daí as relações entre os três fossem a “mielas”.
Onaírda concordou, havia agora que procurar a moça. Tempicos resolveu que ele próprio ia a Los Angeles e Onaírda vinha para a Trofa em Portugal e deslocar-se-ia a
casa da família adoptiva da Katinha
para saber o paradeiro dela. A notícia
desta herança correu pela imprensa carioca, passou para a internacional e em
Portugal logo se soube dos dois afortunados. Estes resolveram ter uns dias de
folga e resolveram ir dançar o “forró” lá para os bailaricos do Morro dos
Cabritos. Tinham fama. Estavam os
dois compadres já de partida marcada para o fim do dia, quando da recepção do hotel surgiu pelo sistema de som o
chamamento: senhor Onaírda e senhor Tempicos: esperam-nos na recepção
a menina Katia Vanessa e o seu padrinho…. Surpresos
dirigiram-se à recepção e lá estava, bela e
elegante como nunca, a sua afilhada Katinha. Vinha
acompanhada do seu padrinho, o tal do Ferrari rosso.
Estavam de mão dadas e via-se mesmo que viviam uma autêntica lua-de-mel.
Tinham visto a notícia da herança na comunicação social e vieram logo ter com
os herdeiros, já que os três compadres tinham feito um juramento solene: o
que era de um seria de todos. Katinha incluída. Tempicos e Onaírda (o mais
bonito) ensaiando uns passes do "forró" no calçadão da Avenida
Benjamim Constant Tempicos diria logo a seguir. Agora já nem é a” mielas”. Tem de se alargar o leque. Mas eu serei sempre o
primeiro. A dançar o “forró”, claro. Apêndices: 30 dias depois 1 – O padrinho beirão, mal se apanhou com o
"guito" no bolso, apanhou o avião directamente para Turim, via Madrid, e adquiriu o espectacular novo modelo da Ferrari. Claro foi com a côr "rosso". Não quis
saber da Katinha para nada. 2 – Tempicos, Onaírda e a Katinha regressaram
a Lisboa. Onaírda foi á loja dos "gifts" comprar o jornal do dia e quando voltou já
não viu nem o Tempicos e muito menos a Katinha. Conseguiu saber que tinham embarcado para o Tahiti, precisamente para o resort,
onde já esteve instalado o Peter Pan. Onaírda sentiu-se desconsolado. 3 – Onaírda foi
novamente internado no Hospital Julio de Matos.
Segundo informou o porteiro de serviço a um familiar, agora o caso é muito
grave. Está podre de rico, mas é doido. Fontes: Blogue Repórter de
Ocasião, 29 de Março de 2026 MARY LOU, MARY LOU
– Onde estavas tu?, Edições Fora da Lei, Ano de 2010 |
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© DANIEL FALCÃO |
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